Publicado em Educação

Desafiadora e fundamental, fortalecimento da parceria escola-família se faz urgente

por em09 Novembro 2017 52 acessos
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Trabalho com famílias em escola da Paraíba Trabalho com famílias em escola da Paraíba Divulgação

Professores reclamam que os pais não educam seus filhos, e então eles se tornam indisciplinados em sala de aula. Já os pais dizem que os professores não desempenham seu trabalho ou não têm autoridade ou recursos suficientes para disciplinar seus filhos, e por isso são bagunceiros. Em relação à responsabilidade sobre a  educação dos filhos e alunos, que frequentam a escola cada vez mais cedo, a disputa entre família e escola se mantém. Afinal, de quem é essa “culpa”, e o que espera um pai quando coloca seu filho na escola?

As expectativas em relação à escola mudam ao longo do tempo. Há 50 anos, as responsabilidades sobre a escola seguiam uma lógica disciplinar, em que o aluno se submetia às regras para que essa o instrumentalizasse para que ele fizesse parte da sociedade. Hoje, em mundo pós-moderno, talvez estejamos um pouco mais livres, e nutrimos algumas esperanças de que possamos ajustar o coletivo às subjetividades de cada um.

Em uma palestra ao TEDxSãoPaulo, o psicólogo Alessandro Marimpietri faz um emocionante relato de uma conversa que teve com um pai sobre as questões que permeiam a educação de filhos e alunos. O pai, narcotraficante, disse que espera para o filho um “livramento de impossibilidades”, isto é, que a escola opere uma série de transformações que mudem a vida da criança, afastando-a do mundo do crime que, segundo ele, rende uma vida curta e cheia de perigos.

Então, vivemos um grande paradoxo na educação. Ainda queremos crianças enfileiradas, obedientes e quietas o suficiente para não atrapalharem a lógica de transmissão do conhecimento dos professores aos alunos? Muitas escolas seguem a mesma lógica de disposição de  tempos e espaços semelhantes a presídios: estão todos fardados; treinados a seguir ordens de uma autoridade que lhes diz quando entrar ou sair, começar ou terminar uma atividade, ou são orientados por sinais sonoros que lhes indicam o que fazer.

Mas, ao mesmo tempo, desejamos crianças criativas e inovadoras que modifiquem e transformem nosso mundo. Tentando resolver esse doloroso paradoxo, muitas crianças não se adaptam às estruturas escolares a contento do senso de nossa sociedade “adultocêntrica” que tem dificuldade para olhar para a criança com “olhos de criança”. Por isso, logo é encaixada em uma das abundantes categorias psiquiátricas: rebaixamento cognitivo, déficit de atenção e hiperatividade, desajuste emocional...

Outro fenômeno que mudou ao longo do tempo foi o aumento da procura de pais e cuidadores por “profissionais” que orientassem em relação a criação dos filhos. Em parte, pois a oferta de serviços especializados (médicos de diversas especialidades, psiquiatras, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas, pedagogos etc.) avança conforme o conhecimento científico se acumula.  Por outro lado, há a crença de que o profissional “sabe” o que é e como deve ser desenvolvida a educação da criança.

A participação dos pais e cuidadores na criação dos filhos não pode ser substituída. Porém, é preciso mais do que isso. Também precisa-se do apoio de profissionais como o professor e tantos outros. É necessário a participação e a contribuição de pais, professores, amigos, familiares, de outras crianças, da comunidade e até mesmo do Estado nessa empreitada. Como prega um antigo ditado africano,  “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.

Ciente dessa necessidade de integrar esforços entre família e comunidade escolar, a Inteligência Relacional, por meio da Metodologia Liga Pela Paz – famílias, capacita professores e encoraja as escolas a promoverem encontros comunitários com os familiares dos educandos, desenvolvendo  grupos de diálogo que contam com a exibição de capítulos do DVD “Emoções na Família – Construção da Paz”  e leitura de histórias que ilustram as dinâmicas familiares no cotidiano. Todo o aprendizado obtido durante os encontros podem ser cultivados no lar, contribuindo para uma relação familiar mais saudável e feliz.

Essa “troca” entre escola e família é fundamental, uma vez que, por gerações, algumas famílias não tiveram a chance de ser apresentadas a jeitos diferentes de enxergar e conversar sobre as emoções. Assim, correm o risco de seguir a sina de reproduzir práticas equivocadas ou  até mesmo violentas na educação de suas crianças. Por isso, convidar as famílias para conversar, respeitando e honrando suas potencialidades e seus próprios recursos mas também apresentando diferentes possibilidades, é um esforço conjunto que ambos os responsáveis pela educação das crianças, família e escola, devem empreender. Só assim, a escola se tornará um espaço que integra os alunos e a comunidade, e toda a aldeia educará as crianças.

Inteligência Relacional

A Inteligência Relacional é uma organização sediada em Ribeirão Preto (SP) que atua na área de desenvolvimento humano desde 1992, pioneira na sistematização de conteúdos de Educação Emocional e Social. Seu foco principal está voltado para uma educação que proporciona a redução da violência, a construção de uma Cultura de Paz, a melhoria dos índices de convivência e a aprendizagem.

Website.: www.inteligenciarelacional.com.br