Publicado em Saúde

Dia Mundial de Combate à AIDS. Doença cresce na população jovem no Brasil

por em01 Dezembro 2017 176 acessos
  • .
Report ThisConteúdo Inadequado? Avise-nos

Dia Mundial de Combate à AIDS Dia Mundial de Combate à AIDS Divulgação Vitallis

 

De 2006 a 2015, a taxa de detecção de casos de AIDS no país entre jovens do sexo masculino com 15 a 19 anos quase que triplicou e, entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa mais do que dobrou

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, mais conhecida como AIDS, ainda é um problema mundial. Passado o terror da epidemia nos anos 80, a doença incurável, mas com controle com medicamentos, ainda preocupa. “A nova geração parece não temer mais a doença que já foi considerada o mal do século passado. Ela não presenciou o holocausto demográfico promovido pelo vírus HIV e não perdeu seus ídolos em decorrência da doença. E é justamente nos jovens de hoje em que o HIV volta a agir. Não podemos deixar que os números assustadores voltem a ser referência”, alerta o especialista em Clínica Médica da Vitallis Sanitas, José Mourão Neto. A epidemia já matou 49 milhões, das 78 milhões de pessoas infectadas desde a década de 80. No Brasil, a estimativa é de que 1,6 milhão de pessoas sejam portadoras da doença.

Das 4.500 novas infecções por HIV em adultos em 2016, 35% ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos, no mundo todo. No Brasil, de 2006 a 2015, a taxa de detecção de casos de AIDS entre jovens do sexo masculino com 15 a 19 anos quase que triplicou (de 2,4 para 6,9 casos por 100 mil habitantes) e entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa mais do que dobrou (de 15,9 para 33,1 casos por 100 mil habitantes).

De acordo com um relatório recente divulgado pela “UNAIDS Acabando com a AIDS”, programa das Nações Unidas para criar soluções e ajudar nações no combate à AIDS, a doença se alastra mais em ambientes desafiadores, com acesso insuficiente a alimentos, educação e moradia e com altas taxas de violência.

Segundo o médico, o sexo seguro, uma das formas de prevenir a doença, está em desuso por boa parte dos jovens. “O horror da epidemia, infelizmente, entrou no esquecimento. Neste 01 de dezembro, Dia Mundial de Combate à AIDS, é importante conscientizar a população, principalmente os mais jovens, da importância da prevenção para que os avanços conquistados nas últimas décadas não sejam em vão”, alerta José Mourão.

Para Mourão, a AIDS ainda é uma questão de saúde pública, apesar de ter aumentado a expectativa de vida dos portadores da doença. “A AIDS é uma infecção incurável, de difícil controle por meio de drogas antirretrovirais que causam diversos efeitos colaterais indesejáveis. É preciso encarar a AIDS como um problema real e ainda presente em nossas vidas”, ressalta.

O médico conta que a boa notícia é que as tecnologias e o acesso ao tratamento melhorou e muito a vida dos portadores da doença. “Mais da metade de todas as pessoas que vivem com HIV no mundo (53%) agora têm acesso ao tratamento da AIDS. Além disso, as mortes relacionadas à ela caíram quase pela metade desde 2005”. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, observa-se que do total de pessoas vivendo com HIV, 87% já foram diagnosticadas. Deste número, 64% estão em tratamento.

No caso da transmissão de mãe para filho, também conhecida como vertical, as novidades são boas, tanto na transmissão quanto no tratamento. No Brasil, diminuiu 36% nos casos de HIV em menores de 5 anos, nos últimos seis anos. No mundo, o acesso a medicamentos contra o HIV para prevenir a transmissão do vírus de mãe para filho aumentou para 76% em 2016. Devido a isto, as novas infecções por HIV entre crianças diminuíram 47% desde 2010.

Para Mourão, é urgente conscientizar a população sobre os grupos de risco e as formas de contágio e prevenção. “Não podemos deixar que a AIDS volte a ser o terror de décadas atrás. Mesmo que a epidemia de AIDS acabe como ameaça para a saúde pública até 2030, como deseja a ONU, em sua Declaração Política de 2016 sobre o Fim da AIDS, é necessário que cada um faça a sua parte nesta luta que é de todos nós”.