Publicado em Saúde

Setembro amarelo: alerta para a prevenção do suicídio

por em13 Setembro 2017 180 acessos
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Campanha 'Setembro Amarelo' na Uniica Campanha 'Setembro Amarelo' na Uniica Nelcielle Souza

‘Falar é a melhor Solução’ foi o slogan escolhido para a campanha do Setembro Amarelo 2017, mês de prevenção do suicídio. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que no Brasil são 32 mortes por suicídio por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer no país, o que confirma a necessidade de abordar o assunto com seriedade, sem preconceitos e como um problema de saúde pública.

Yara Braguinia, psicóloga da Clínica de Psiquiatria Uniica, explica que o suicídio ainda é um tema tabu para a sociedade e essa é uma das maiores dificuldades na sua prevenção. “Apesar dos dados alarmantes, infelizmente o suicídio ainda é um tema sobre o qual pouco se fala. Tanto na mídia, quanto entre a população em geral, o tema é tratado de forma estigmatizada, assim como as doenças psíquicas, o que dificulta diretamente sua prevenção”, alerta.

Ao contrário do que se acredita, falar sobre o suicídio não é motivar a sua prática, mas sim uma das principais formas de prevenção. “É uma maneira de garantir cuidados, de transmitir orientação correta, para que as pessoas saibam onde buscar ajuda. Ao mesmo tempo que levar informação contribui para que quem está próximo a uma pessoa com ideação suicida saiba identificar os sinais”, destaca a psicóloga.

Conforme dados da OMS, 90% dos casos estão ligados a alguma psicopatologia, facilmente tratável na medida em que as pessoas acessam as informações sobre o problema. Além disso, a cada dez suicídios registrados, nove poderiam ter sido evitados se a pessoa estivesse sendo assistida por um profissional.

O médico psiquiatra da Uniica, Dr. Gabriel Jorge, explica que isso se dá porque a pessoa emite avisos prévios. “Em geral, alguns fatores podem alertar sobre pessoas com risco de cometer suicídio, tais como, isolamento social e avisos verbais, pois ao contrário do que se acredita, quem fala faz, sim. Pessoas do sexo masculino, que sofreram perdas de entes queridos, perda do emprego e usam substâncias químicas, principalmente o álcool, estão mais propensas”, alerta o médico.

A psicóloga completa dizendo que a falta de atenção com a saúde mental também é um fator contribuinte, já que o suicídio ou a tentativa de suicídio podem ser considerados consequência/sintoma grave de uma doença psíquica. “As doenças mentais são como quaisquer outras doenças e podem acometer qualquer pessoa. Em um mundo extremamente competitivo, onde somos consumidos pela rotina, com uma realidade muito fugaz, onde tudo é muito intenso e as expectativas às necessidades precisam ser atendidas de imediato, contribui ainda mais para um baixo limiar de frustração. Por isso, precisamos ficar atentos aos cuidados com a nossa saúde mental e emocional”, recomenda Yara.

O médico psiquiatra frisa também que os cuidados com quem já teve uma tentativa frustrada de suicídio devem ser levados a sério, pois o risco de tentativas recorrentes é muito alto, “por isso é tão importante a ajuda profissional, pois a falta de acompanhamento após uma tentativa pode gerar outra ou até mesmo deixar sequelas permanentes”, ressalta.

Outro erro muito comum é a busca tardia pelo tratamento. Segundo o psiquiatra, a maioria dos pacientes chega às clínicas como casos de emergência. “O que se percebe é que ainda existe uma relutância por parte da família por tratar o tema como tabu e que precisa ser quebrada. O ideal é a busca pelo atendimento logo que identificados os primeiros sinais. Vale lembrar que o acompanhamento regular é fundamental. Só um atendimento completo poderá elucidar as causas e estabelecer um tratamento eficaz”, destaca o médico.

Última modificação em 13 Setembro 2017
Assessoria de Imprensa da ISCMC

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