Dólar e juros futuros caem com PIB fraco dos EUA, diz Marcus Herndl Filho


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O dado mais fraco que o esperado do PIB nos Estados Unidos levou a uma desvalorização do dólar frente às principais moedas emergentes ontem. Sem surpresas com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 11% em linha com o esperado pelos analistas, o mercado local acompanhou o movimento externo, com dólar e juros futuros encerrando o dia em queda. O caso foi avaliado pelo empreendedor Marcus Herndl Filho.

Um dia após a reunião do Copom, as taxas dos contratos futuros de juros recuaram na BM&F, refletindo o cenário externo mais calmo e a percepção de que a atividade fraca no mercado doméstico pode limitar a retomada do aperto monetário. O DI para janeiro de 2017 recuou para 11,68%, ante 11,78% do pregão anterior. Já o DI para janeiro de 2015 encerrou a 10,87%, ante 11,99% da quarta.

Embora os ajustes ao Copom tenham sido modestos, uma vez que a manutenção da Selic em 11% era amplamente esperada, o comunicado da decisão ocupou o debate. O texto voltou a incluir a expressão “neste momento”, frase usada em outras situações em que o Banco Central mudou sua estratégia de política monetária. E, por isso, a percepção é de que a autoridade monetária quis sinalizar que o juro não deverá ficar estável por muito tempo. E que, a depender do comportamento da inflação e da atividade, novos ajustes podem vir. É para esta questão que Marcus Herndl Filhochama a atenção para a cautela no momento das negociações.

A maior parte dos profissionais acredita que essa expressão abre a porta para um novo ciclo de aperto monetário, uma vez que a inflação não cede. Mas há uma corrente que considera que a atividade fraca – que vem surpreendendo o mercado e que está, certamente, no radar do BC – pode afetar as decisões daqui para frente. “O mercado está lendo o ‘neste momento’ como ‘hawkish’ [favorável ao aperto monetário], mas existe a chance de ser uma mensagem mais ‘dovish’ [orientado para uma política monetária mais frouxa]”, afirma um operador. “A atividade pode surpreender muito negativamente ainda e isso não está nas contas do mercado.”

Um sinal interessante dos efeitos já produzidos pela alta da Selic veio do crédito, importante canal de transmissão da política monetária. Em abril, o estoque de crédito mostrou alta de 13,4% em 12 meses, para R$ 2,777 trilhões. Em abril de 2013, o ritmo de expansão em 12 meses estava em 16,26%.

O cenário externo também contribuiu para a queda das taxas dos juros futuros. A segunda leitura do PIB americano do primeiro trimestre mostrou um recuo de 1% em termos anualizados, uma queda maior que a esperada pelo mercado, que era de 0,6%. O dado reforçou a perspectiva de que a economia americana vem apresentando uma recuperação mais lenta que a esperada, favorecendo a busca por ativos de maior risco. Com isso, apesar da queda do PIB as bolsas de Nova York fecharam em alta. O índice Dow Jones avançou 0,40%, o Nadaq ganhou 0,54% e o S&P subiu 0,54%.

“Os dados reforçam a ideia de que o Federal Reserve [Fed, banco central americano] deve ser mais cauteloso no processo de normalização da política monetária”, afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho Brasil. Essa percepção contribui para a manutenção das taxa dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) em níveis baixos. Ontem, a taxa do título de dez anos encerrou em 2,445%. Nesse cenário, a busca por ativos de renda fixa deve prosseguir, na visão de analistas, ainda que em ritmo mais moderado, o que limita uma pressão de alta para o dólar no mercado local. Ontem, o dólar caiu 0,49%, a R$ 2,2240. Com isso, passa a acumular uma queda de 0,27% no mês.

Para Rostagno, a taxa de juros brasileira continua bastante elevada e os títulos brasileiros se mostram bastante atraentes. “Mesmo com a pausa no ciclo de alta de juros, devemos continuar vendo entradas para o mercado de renda fixa, com os investidores buscando ganhar com operações de carry trade [que visam obter retorno com a arbitragem de juros].”

O cenário mais favorável a emergentes favorece as captações externas. Ontem, a Moody’s informou que o Banco do Brasil planeja uma emissão de bônus perpétuos em dólar, o que colaborou para um movimento mais forte de venda da moeda americana.


Leônidas Herndl

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